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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Grêmio é multado em R$ 80 mil por ato de racismo contra o zagueiro Paulão no Gre-Nal

 
O Grêmio foi multado em R$ 80 mil pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) por conta do ato de racismo contra o zagueiro Paulão, do Inter, no primeiro dos Gre-Nais decisivos do Gauchão, dia 30 de março, na Arena. A decisão foi proferida na quarta-feira.

O clube recorrerá da decisão. No mesmo julgamento, o Inter foi multado em R$ 20 mil pela briga provocada por seus torcedores.

Por enquanto, o Grêmio ainda não conseguiu identificar o torcedor que proferiu o discurso racista contra Paulão. Conforme o advogado Gabriel Vieira, as imagens fornecidas pela Arena Porto-Alegrense não têm a nitidez suficiente para isso. Ainda assim, o clube remeteu o material ao Ministério Público (MP).

— Não estamos medindo esforços para descobrir quem é ele. Estamos juntos com o MP nessa luta. Também temos interesse na punição — afirma Vieira. 
 
 

Esportivo é rebaixado no Gauchão por insultos racistas contra o árbitro Márcio Chagas


Em uma sessão agitada com cinco horas de duração, o pleno do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) rebaixou nesta quinta-feira o Esportivo para a Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho ao julgar o recurso do caso Márcio Chagas – árbitro que, na noite de 5 de março, no Estádio Montanha dos Vinhedos, sofreu insultos racistas e encontrou seu carro depredado, com bananas no cano de descarga e sobre a lataria.
 

Por cinco votos a três, os auditores da corte puniram o Esportivo com a supressão de nove pontos na tabela do Gauchão, perda de seis mandos de campo e multa de R$ 30 mil. O clube vai recorrer da sentença no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Mantida a decisão, o Passo Fundo não estará mais rebaixado.

– Estou arrasado. É uma desconsideração com os funcionários, com os atletas e com a história de um clube que enfrenta dificuldades diárias – queixou-se o presidente do Esportivo, Luis Oselame.
Márcio Chagas assistiu à sessão por duas horas e meia. Foi embora irritado, às 19h55min, depois da explanação do advogado do clube da Serra, Alexandre Borba. Em seu pronunciamento, Borba questionou a veracidade das fotos, captadas pelo celular do árbitro, mostrando bananas no capô do automóvel.

– Ou essas provas foram plantadas, ou houve uma reconstituição do episódio longe do estádio – disse o advogado, afirmando que as imagens foram registradas em outro local.

– É uma vergonha – disse Márcio Chagas ao deixar a sessão. – Em vez de reconhecer e condenar o fato, me chamaram de mentiroso.

O voto que embasou a decisão final foi proferido pelo auditor Paulo Airoldi, que contestou a interpretação do relator Fabiano Bertolucci. Para Bertolucci, o tribunal deveria manter a sentença da primeira instância: punição de R$ 30 mil e perda de cinco mandos de campo, sem corte de pontos.

Mas Airoldi venceu o debate sobre o controverso artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Conforme o texto, que já havia provocado polêmica na decisão anterior, a perda de pontos no campeonato ocorrerá quando o ato discriminatório “for praticado por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva”.

– A minha interpretação é de que pessoas vinculadas ao clube, nos termos da lei, não são os torcedores – avaliou o relator Bertolucci, referindo-se a atletas e dirigentes.

– Ora, a torcida é um patrimônio do clube e, sem ela, o clube não existe – devolveu Airoldi, com a concordância de outros quatro auditores que definiram o resultado.

Na casa de um amigo, assistindo ao jogo do Grêmio contra o Nacional-URU, Márcio Chagas estava descrente quando soube da decisão:

– Não esperava que terminasse assim. Minha mãe me ligou orgulhosa, elogiando meu posicionamento firme nas últimas semanas. Foi um ensinamento que recebi dos meus pais desde a infância.


quinta-feira, 6 de março de 2014

Árbitro Márcio Chagas da Silva afirma ter sido vítima de racismo em Bento


O árbitro Márcio Chagas da Silva foi vítima de racismo após a partida entre Esportivo e Veranópolis, que foi disputada nesta quarta-feira, na Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves.

Ao término do jogo, o árbitro se dirigiu até o estacionamento do estádio para ir ao encontro do seu veículo, um Pegeout 207 preto, e se deparou com a lataria do carro batida, arranhada, e com bananas sobre ele. Isso ocorreu, segundo o árbitro, por parte dos torcedores donos da casa, que viram o seu time vencer a partida por 3 a 2.

— O carro foi amassado, riscado, pedalado, jogaram banana no cano de descarga, por cima do carro. Fizeram tudo isso, insultos racistas. Foram torcedores do Esportivo — contou o árbitro em contato telefônico com Zero Hora.

Márcio Chagas registrou em fotos a depredação do seu automóvel. Além disso, relatou em súmula, ainda não divulgada no site de Federação Gaúcha de Futebol, o ocorrido.

— Relatei, (a súmula) deve ser publicada durante a tarde. Meu carro estava no estacionamento do estádio, em frente ao vestiário da arbitragem. Eles (torcedores) pularam o portão.



Foto: Márcio Chagas/Arquivo Pessoal


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Tinga é vitima de racismo no Peru




O preconceito deu as caras na Copa Libertadores da América nesta quarta-feira. O alvo foi o volante Tinga, do Cruzeiro. A cada toque na bola do brasileiro, que entrou no segundo tempo da derrota por 2 a 1 do Cruzeiro, a torcida do Real Garcilaso, do Peru, imitava o som emitido pelos macacos.

— Fico muito chateado. Joguei quatro anos na Alemanha e nunca passei por isso. Agora acontece em um país parecido com o nosso, cheio de mistura. Trocaria um título pela igualdade entre raças e classes e respeito — lamentou Tinga, em entrevista à Rádio Globo.

O jogador ainda relatou que demorou a identificar que o que estava ocorrendo na arquibancada do Estádio Huancayo era uma manifestação racista.

— No começo, achei que era por ser a Libertadores. Depois vi que era racismo - completou.

O diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos, condenou as ações da torcida peruana:

— O que fizeram com o Tinga, eles são um bando de covarde e babaca. O Tinga é homem, passa por cima dessas coisas. Foi um retrocesso da humanidade, pensar pequeno, num lugar pequeno, que não devia nem existir no futebol — disparou.


Foto: Divulgação

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